O ano era 1974. Ao se deparar com uma roda de capoeira, no Centro de Niterói, Márcio Luiz Sardinha, o popular Sardinha, hoje professor da arte marcial e de Escultura em Madeira, do Projeto Construindo Arte, da Secretaria de Cultura (Semuc), ficou encantado pela manifestação cultural brasileira que reúne esporte e música e se caracteriza por golpes e movimentos ágeis e complexos.

Aos 49 anos, Sardinha, que é mestre de 1º Grau de Capoeira e, há 18 anos, membro da Associação de Capoeira Berimbau de Ouro, de São Gonçalo, repassa seu aprendizado aos alunos do projeto da Prefeitura Municipal, às segundas e quartas-feiras, das 20h às 22h, no Espaço de Artes da Semuc, localizado no prédio do antigo Fórum Municipal, no Centro, onde também fica a sede administrativa da secretaria.

De acordo com o professor, suas aulas, que também acontecem nas escolas municipais Professor Antônio Ferreira, na Mangueira e Professor Santos Loureiro, em Lavras (nesta última, por meio do projeto Escola Aberta, do Governo Federal) e reúnem adeptos de seis a 60 anos de idade, têm por objetivo não somente a formação de capoeiristas, mas também de cidadãos.

–  A capoeira é um esporte completo, que transmite valores essenciais para a vida, como a disciplina e o senso de coletividade. Meu maior prazer é ver meus alunos crescendo, e tornado-se pessoas responsáveis, respeitadas não somente no meio da capoeira, mas na sociedade como um todo. Além disso, com o conhecimento adquirido ao longo dos anos, muitos podem vir a se tornar professores e terem suas vidas norteadas por essa arte marcial maravilhosa, da mesma forma que a minha foi – destacou.

Há 16 anos aluno do mestre, o eletricista Cristiano da Silva, de 28 anos, credita à arte marcial e aos conselhos de Sardinha, muitas das escolhas corretas que fez em sua vida.

– Com a capoeira, minha cabeça sempre esteve ocupada, e livre das drogas e das más companhias. O Sardinha está sempre nos orientando e estimulando nossa reflexão para nos tornarmos sempre pessoas melhores. Além disso, através de apresentações, tive a oportunidade de conhecer outros estados do país, como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Sou muito grato por isso tudo – frisou.

Inspirado por Aliomar Guimarães, o Baianinho, e Dawson Nascimento, dois importantes artistas do município, a escultura em madeira tornou-se a outra grande paixão da vida de Sardinha, cuja oficina acontece em um espaço cedido pela Prefeitura para a realização de trabalhos sociais, na Mangueira.

Com o projeto Construindo Arte, a Semuc também oferece à população, de segunda a sexta-feira, em horário integral, oficinas gratuitas de Dança, Música (Canto, Coral e Violão), Fotografia, Teatro, Pintura e Desenho. Atualmente, aproximadamente 300 alunos são beneficiados pela iniciativa.

Segundo a secretária de Cultura, Rosilane Matos, “o projeto tem por objetivo valorizar a expressão singular do aluno, por meio do desenvolvimento de sua percepção visual e imaginação criadora e, consequentemente, ampliar seu repertório artístico e fazê-lo sentir-se membro integrante de uma cultura”.

Para o coordenador geral das oficinas, Bruno Siqueira, os resultados obtidos até o momento são satisfatórios. Ele acredita que o projeto tem colaborado para o desenvolvimento de atividades artísticas na região.

– O principal objetivo foi alcançado, e toda a equipe da secretaria está feliz por isso. Estamos mostrando à população, por meio dos trabalhos apresentados, a importância de se construir arte”, acrescentou.

As inscrições para as oficinas do projeto são feitas na sede da Secretaria de Cultura.

Por Rodrigo Stutz

 

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