Um dos principais dispositivos do Programa de Saúde Mental do município, a Residência Terapêutica, modelo assistencial oriundo da reforma psiquiátrica realizada no país, acolhe hoje 25 moradores portadores de doenças mentais. Com um ambiente familiar, as três unidades existentes em Rio Bonito, exercem um importante papel no processo de inclusão social e recuperação de hábitos do cotidiano de pacientes que durante anos estiveram internados em hospitais psiquiátricos.

Com uma equipe formada por um coordenador, um administrador, um técnico de enfermagem e 20 cuidadores à disposição, os moradores, que não possuem familiares ou cujas famílias não têm condições de recebê-los, recebem todos os cuidados necessários e são livres para irem e virem. O objetivo é a quebra de paradigmas da loucura, baseados no isolamento do paciente, e a reabilitação psicossocial do mesmo, assim como recomenda o Ministério da Saúde, com base na lei federal 10.216/2001, que prevê a substituição do modelo de segregação dos manicômios pelo de inclusão e defesa dos direitos humanos.

De acordo com a coordenadora da Residência Terapêutica, a assistente social Francine Benevides, duas unidades são destinadas aos pacientes que apresentam, além do transtorno mental, outras patologias e, por conseqüência, menos autonomia. Ainda segundo a coordenadora, o tratamento psicológico e psiquiátrico dos moradores é realizado no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), dispositivo central do programa, e todos os demais problemas de saúde são tratados em postos de saúde do município, como qualquer outro cidadão.

– É preciso frisar sempre que não é uma internação, visto que todo o tratamento dos moradores é realizado junto à sociedade. Nas casas, eles reaprendem hábitos como escovar os dentes, lavar a louça, forrar a cama, esticar a toalha, entre outros. Os acamados, que não conseguem ir até o CAPS, recebem a visita da equipe do centro na residência – explicou.

A assistente social também afirmou que a equipe da saúde mental do município está trabalhando para que os familiares dos moradores sejam localizados.

– Alguns já passam finais de semana e datas comemorativas juntos da família, outros voltaram de vez para suas casas. Na medida do possível, colaboramos para que esses laços sejam reconstruídos – acrescentou.

Para a coordenadora do Programa de Saúde Mental do município, a psicóloga Denise Prevot, embora a proposta de mudança de tratamento ainda encontre muita resistência na sociedade, os resultados obtidos são bem mais satisfatórios que os alcançados sob o modelo anterior.

– Anteriormente, os pacientes não apresentavam evolução no quadro clínico. Por isso a política nacional em vigor visa à redução de leitos em hospitais psiquiátricos e, até mesmo, o fechamento dos mesmos. Como solução, estão sendo criados leitos para tratamento de crises psiquiátricas em hospitais gerais, como o Darcy Vargas, que hoje possui três. É a doença mental sendo tratada como qualquer outra doença, e isso é ótimo – concluiu.

Por Rodrigo Stutz

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *