Em todo o mundo centenas de pessoas que possuem impressoras 3D têm ajudado a proteger os profissionais de saúde produzindo máscaras de acetato, as chamadas face shield, ou escudo facial. O equipamento de proteção individual é usado por cima de duas máscaras, a cirúrgica e a N95. Em Rio Bonito, os jovens Arthur Soares, de 27 anos, formado em desenho industrial de projeto e produto, e Arthur Monnerat, de 23, estudante de engenharia de Controle e Automação, também estão fazendo esse item e doando aos profissionais do Hospital Regional Darcy Vargas. Em uma semana, com a ajuda da família, Arthur Soares já imprimiu cerca de 20 máscaras. Apesar de ter custeado toda a impressão até agora, ele precisou parar a produção por falta de uma matéria prima, a folha de acetato, a mesma que Arthur Monnerat espera para finalizar a sua produção e poder entregar ao Hospital.

Segundo Soares, o problema está sendo encontrar as folhas para comprar, já que a maior parte das lojas que vendem o produto, como papelarias, por exemplo, estão fechadas. Ele pede para que as pessoas ajudem doando as folhas e assim possam fazer mais máscaras. “Com uma folha A4 de acetato, faço apenas uma máscara. Gostaria de pedir para quem tem ou sabe onde posso comprar em Rio Bonito, que me ajude, pois só tenho acetato para produzir mais uma máscara”, pede Arthur, que já imprimiu a última máscara.

Diferente das máscaras cirúrgicas que precisam ser descartadas após o uso, a máscara de acetato pode ser higienizada e reutilizada. De acordo com Soares, se o acetato quebrar, pode ser facilmente substituído sem haver o descarte de todo o equipamento. Além do equipamento de proteção, Arthur Soares também se dispôs a produzir peças para os respiradores que eventualmente possam precisar de manutenção. Tudo impresso em 3D.

Como tudo começou

A ideia de fazer o equipamento surgiu de uma conversa de Arthur Soares com seu primo, o médico Luiz Rodolfo Braga, que trabalha no Hospital Regional Darcy Vargas. Ao ver uma reportagem sobre a produção, o médico mandou a matéria para Arthur, que pediu apenas algumas horas para pesquisar e adaptar o projeto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a Pontifícia Universidade Católica (PUC) e começar a produzir.

“Não pensei em nada além de produzir. Esse é um projeto comunitário, open source (patente de código aberto), para que pessoas do mundo todo possam ajudar os profissionais de saúde a se protegerem. E se eu posso ajudar, porque não fazer? ”, indaga Soares.

Através das redes sociais, Arthur Monnerat, que estuda no Instituto Federal Fluminense (IFF) de Macaé, e desenvolve impressoras 3D e peças sob encomenda, descobriu o trabalho que o outro Arthur estava fazendo e se ofereceu para ajudar. Eles não se conheciam, mas agora estão unidos para ajudar os profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus.

“Procurei ele e disponibilizei a minha impressora e todo o meu nohall no ramo. Decidi ajudar pois percebi que haveria a falta de EPI’s (equipamento de proteção individual) para os profissionais da Saúde. Sei que a produção ajuda os profissionais de frente no combate, protegendo eles da exposição ao vírus e evitando que eles se contaminem”, disse Monnerat.

A importância da máscara e do voluntariado

De acordo com o médico do Hospital Regional Darcy Vargas, Estêvão Braga, as máscaras produzidas por Arthur Soares já estão sendo usadas no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital, e caso os jovens consigam aumentar a produção, também podem ser utilizadas no Centro Cirúrgico, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e no hospital de campanha que está sendo erguido Prefeitura.

O médico explica ainda que o equipamento individual é necessário para a proteção do profissional de saúde que vai estar diretamente envolvido com procedimentos de intubação orotraqueal e manejo do paciente dentro do CTI. A máscara tem a função de, por exemplo, barrar gotículas que podem estar contaminadas com o vírus e atingir esses profissionais.

Ele ressalta a iniciativa dos jovens em ajudarem, e diz que indiretamente, os Arthur’s estão salvando vidas. “Eles representam pessoas que estão usando seu voluntariado, toda sua habilidade em prol de salvar outras pessoas. Indiretamente, produzindo essas máscaras, eles estão protegendo os profissionais de saúde de Rio Bonito de ficarem infectados, e consequentemente poderão salvar mais vidas. Então os dois estão salvando várias vidas”.

Para o médico, o exemplo dos jovens deve ser seguido, “Que esse exemplo possa inspirar outras pessoas a doarem o que sabem fazer nos seus respectivos dons, em suas respectivas áreas, em prol da humanidade”, apela Estêvão que termina com uma pergunta, “qual a sua função social? ”.

Quem puder ajudar doando as folhas de acetato, pode entrar em contato com os jovens através do Facebook deles:

https://www.facebook.com/arthur.soares.946

https://www.facebook.com/arthurmonnerat

 

Texto: Lívia Louzada

 

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