Talentos consagrados e revelações da música riobonitense se apresentaram na noite de ontem, segunda-feira (14), nos Prêmios Sávio Valviesse de Música Autoral e Antônio Celso de Arte e Cultura, que aconteceram no Teatro CDL, no Centro de Rio Bonito. O evento, que faz parte da Lei Federal 14.017, conhecida como Lei Aldir Blanc, foi transmitido ao vivo através das redes sociais da Prefeitura e também no YouTube. As quase 5h de show foi comandada pelo radialista e produtor Bruno Martins, que mesmo com mais de 20 anos de experiência no ramo, conta que se surpreendeu com os talentos que viu.

“Foi muito surpreendente, vi obras lindas que eu não conhecia, algumas compostas para o próprio projeto. De 10 músicas autorais, quatro foram feitas especialmente para o projeto. Fico muito orgulhoso de ter participado e ouvido essas quatro obras em primeira mão. Os músicos a gente já conhecia, são em sua maioria de extrema qualidade, mas o que me surpreendeu, certamente, foi o autoral, foi a parte mais interessante pra mim”, enfatizou Bruno.

Um exemplo desses compositores é Felipe Flow, que escreveu a canção “Caminhos” especialmente para participar do Prêmio Sávio Valviesse de Música Autoral. Em um dos trechos de sua música, ele fala dos “olhares perdidos enquanto os corpos se encontram”, fazendo referência ao período da pandemia do novo coronavírus. Para ele, a transmissão do evento ao vivo foi uma boa oportunidade para mostrar seu trabalho a mais pessoas.

“Eventos como esse são extremamente necessários não só para música, mas para a cultura em geral. E acho que por ser online, não perde nada, pelo contrário, agrega, pois podemos atingir um público maior e as pessoas começam a ligar o nome do artista ao trabalho dele”, analisou Felipe.

O evento também contou com a participação de artistas já renomados da cidade, como a cantora Sheila Sá, que interpretou a canção “Vem Comigo”, de sua autoria, escrita durante o período da pandemia. Ela também fez uma homenagem ao compositor Antônio Celso, que dá nome a um dos prêmios, interpretando uma de suas composições ganhadora de alguns festivais de música, “Inércia”. “Achei maravilhosa a iniciativa desse projeto ser implantado em Rio Bonito pra gente conseguir esse auxílio, pois ficamos muito tempo sem trabalhar, foi muito difícil. Parabenizo a Secretaria de Cultura por ter conseguido trazer essa lei de auxílio para nós, artistas de todas as áreas do município”, disse Sheila.

 

Única representante feminina no Prêmio Antônio Celso de Arte e Cultura, a cantora Anne soltou a voz e interpretou músicas já consagradas, como “Papel Marchê”, do cantor e compositor João Bosco, um dos parceiros de composição de Aldir Blanc. Para a cantora, “Essa foi uma grande aposta do município (a implantação da lei). O município teve muita coragem em implantar essa lei aqui pra gente, os artistas de Rio Bonito merecem essa oportunidade, principalmente nesse momento de pandemia. Acho muito importante para a cidade esse movimento cultural”.

Presente na transmissão auxiliando os músicos e a organização do evento, pois faz parte do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Rio Bonito, o cantor e compositor Andrezinho Shock foi chamado ao palco para dar uma palinha e surpreendeu a todos com um improviso de versos na batida do beatbox, feita pelo apresentador Bruno Martins.

Para o cantor a experiência do fomento à cultura do município que a Lei proporcionou, deixará um legado na área cultural para os próximos anos. “Todos os artistas que se cadastraram e que estão participando da lei, estão muito envolvidos, isso é muito legal. Acredito que agora as pessoas estão tendo noção de que a gente precisa se estruturar, que a gente não pode ficar pensando só no que o governo vai fazer. É preciso entender que a lei veio para deixar esse  legado. Agora temos um cadastro cultural, temos os artistas, temos o contato, agora é só fazer”, frisou Shock

Também presente no evento, a secretária de Cultura e Turismo, Carmen Motta definiu a implantação da Lei Aldir Blanc em Rio Bonito como um desafio, mas disse que precisa ser dado continuidade ao projeto. “Estou feliz de estar chegando ao final desse projeto. Quero agradecer a todos que participaram e a cada um que acreditou que chegaríamos até aqui. Existem municípios que estão devolvendo o recurso, mas não acho justo, a pandemia está aí. Isso aqui é um pontapé para vocês (artistas) continuarem, escrevam projetos, o governo federal tem muitas leis e vocês tem que dar continuidade. A lei está sendo um desafio, mas não precisa terminar aqui, ela tem que continuar”, avaliou a secretária.

Homenageados da noite

Os grandes homenageados da noite, Sávio Valviesse e Antônio Celso, que dão os nomes aos Prêmios Autoral e de Arte e Cultura, podem não ser conhecidos do grande público, mas eram amantes da música.

Antônio Celso foi professor, compositor, músico, artista plástico, poeta, e um amante dos movimentos culturais. Ele participou de inúmeros festivais de música com suas composições e por diversas vezes conquistou um lugar no pódio.

Já Sávio Valviesse da Motta foi um psicólogo de formação, mas um compositor de coração. Ainda jovem, participou de festivais da canção com músicas de sua autoria, como por exemplo, “Conta pro seu filho tua história”. Tocava violão, gaita e um outro tipo de gaita, chamado samponha.

 

 

Texto: Lívia Louzada

Fotos: Junior Moraes

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